quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Aula aberta e intervenção artística marcam nova programação de butoh em Porto Alegre com a bailarina Ana Medeiros


Foto: Ryo Ichii

Finalizando os preparativos de sua quarta temporada de imersão no Japão, a bailarina e coreógrafa gaúcha Ana Medeiros coloca novamente o butoh nos holofotes do cenário cultural de Porto Alegre com uma programação gratuita antes de sua viagem para terras orientais. As atividades procuram levar ao grande público a filosofia e a cultura dessa dança que, criada na década de 1950 por Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata, celebra a existência e o contato direto com o mundo a nossa volta.

Além de viver por mais de 20 anos em Nova York, onde se especializou em dança moderna na prestigiada Martha Graham School of Contemporary Dance, Ana Medeiros coreografou e subiu aos palcos de países como França, Holanda e, claro, o próprio Brasil. Agora, ela se dedica ao estudo e ao ensino do butoh na capital gaúcha, idealizando espetáculos, ministrando aulas regulares na Casa Cultural Tony Petzhold e promovendo intervenções em diferentes pontos da cidade.

Para novembro, a agenda segue movimentada não apenas com sua quarta residência no Japão com Yoshito Ohno, um dos mestres mundiais do butoh, mas também com as demais atividades envolvendo a dança oriental em Porto Alegre. Dia 15 de novembro, Ana promove uma intervenção no Parque Farroupilha (Redenção), reforçando um dos grandes princípios do butoh: a relação próxima com a natureza. Com a participação do músico Duda Cunha e da bailarina Nury Salazar, a apresentação acontece às 17h, à direita do Monumento ao Expedicionário, em frente ao Colégio Militar.

Já no dia 18 de novembro, a partir das 12h30, a Casa Cultural Tony Petzhold abre suas portas para uma aula aberta ministrada de butoh por Ana. No encontro, serão trabalhados os princípios do butoh segundo Yoshito Ohno, onde se faz muito menos exteriormente: nele, o bailarino encontra o silêncio e percebe o corpo criando e trazendo lugares e memórias à tona. “Levo o butoh como uma filosofia de vida, e hoje me encontro a desenvolver a escuta nos lugares por onde ando e com as pessoas que encontro. Nele, a vida e a dança acontecem de uma maneira mais humana, sem pretensão de ser ou querer algo. Essa é a importância do butoh: dançando butoh aprendo a ser gente”, conta Ana.

SERVIÇO - Intervenção artística de butoh com Ana Medeiros
Dia 15 de novembro, às 17h
No Parque Farroupilha (Redenção)
À direita do Monumento ao Expedicionário, em frente ao Colégio Militar
Com as participações do músico Duda Cunha e da bailarina Nury Salazar

SERVIÇO – Aula aberta de butoh com Ana Medeiros
Dia 18 de novembro, das 12h30 às 15h
Na Casa Cultural Tony Petzhold (Av. Cristóvão Colombo, 400 – Floresta)
Entrada franca

quarta-feira, 5 de julho de 2017

COMUNICADO


O nosso workshop de butoh programado para acontecer entre os dias 21 e 23 de julho no MEME Santo de Casa Estação Cultural está cancelado, bem como a apresentação do espetáculo "Caminhos Pelos Quais Solos" ao final da imersão. Assim que a nova data da atividade for definida, publicaremos nas nossas redes sociais e blog. Acompanhem!

Obrigada!

Ana Medeiros

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ana Medeiros promove workshop e apresentação de butoh no MEME Santo de Casa em Porto Alegre

A bailarina e coreógrafa gaúcha Ana Medeiros movimentou o cenário cultural de Porto Alegre ao trazer para a capital gaúcha toda a sua experiência com o butoh, dança vanguardista japonesa criada no final da década de 1950 por Kazuo Ohno e Tasumi Hijikata. Pioneira no ensino da modalidade, Ana ocupou espaços públicos com intervenções artísticas, promoveu workshops e apresentações em célebres pontos culturais como o Instituto Ling e vem promovendo aulas regulares na Casa Cultural Tony Petzhold. Já planejando uma nova imersão no Japão com o mestre Yoshito Ohno para o segundo semestre deste ano, a bailarina agora abre espaço em sua agenda para um novo workshop de butoh, dessa vez no MEME Santo de Casa Estação Cultural (Rua Lopo Gonçalves, 176 - Cidade Baixa, Porto Alegre), entre os dias 21 e 23 de julho.

Para Ana Medeiros, dançar Butoh é dançar a interioridade da alma. "Nessa dança, não existe o virtuosismo físico de grandes passos, nem a velocidade estonteante de um corpo a se mover no espaço. Ao contrário: no butoh, o virtuosismo se dá na metamorfose destes estados e nas transições internas que o dançarino experimenta transpondo seu corpo", define a bailarina, que, ao longo de sua trajetória, também morou 23 anos em Nova York se especializando em dança moderna na Martha Graham School of Contemporary Dance e já apresentou suas coreografias em países como França, Holanda e Japão. No novo workshop, ela apresenta toda a sua vivência com o butoh e a cultura japonesa em uma programação que contempla trocas teóricas e práticas com os alunos.

Além do intensivo, Ana Medeiros apresenta, ao fim da  programação, o espetáculo Caminhos Pelos Quais Solos, com a participação das bailarinas Denise Iwamoto e Nury Salazar. Idealizado em uma imersão no Japão, o espetáculo é fruto das escavações de Ana com Yoshito Ohno no caminho do butoh. “Há quase um ano trouxe o espetáculo aos palcos de Porto Alegre pela primeira vez e o que descobri ao longo desse tempo é que, assim como o butoh em si, ele é um projeto que está em constante transformação, adaptação e criação. Levá-lo a qualquer novo espaço é sempre senti-lo de maneira completamente diferente”, avalia a bailarina. Os ingressos para a apresentação de Caminhos Pelos Quais Solos custam 30 reais.

SERVIÇO
Imersão de Butoh no MEME Santo de Casa Estação Cultural
Workshop:  21/07, das 17h às 20h; 22/07, das 14h às 17h; e 23/07, das 10h às 13h.
Apresentação do espetáculo Caminhos Pelos Quais Solos: 23/07, às 19h.
Inscrições para o workshop: R$ 210 de 15/06 a 02/07; R$ 250 de 03 a 18/07; R$ 300,00 de 19 a 21/07.
Ingressos para o espetáculo: R$ 30,00 com meia entrada para estudantes, idosos e classe artística.
Mais informações no site www.anamedeiroscoreografia.blogspot.com.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Bailarina Ana Medeiros oferece imersão de Butoh na Serra Gaúcha

Foto: Jorge Eduardo Diehl


Em parceria com o Vale do Arvoredo, a bailarina Ana Medeiros organiza a primeira imersão da dança japonesa vanguardista Butoh na Serra Gaúcha. A atividade acontece no final de semana entre 26 e 28 de maio, quando os participantes serão mergulhados na técnica e na filosofia da arte do Butoh.

Ana traz seus conhecimentos de anos de estudo da dança e visitas ao Japão a um novo espaço. “Há algum tempo venho sonhando em ministrar uma imersão de Butoh em meio a natureza. Serão dois dias mergulhados na escuta, no vivenciar e no ecoar o Vale, experiências essas que alimentam o imaginário do corpo daquele que dança”, explica a bailarina. 

O Vale do Arvoredo é um espaço de intercâmbio de artes localizado em Morro Reuter, na Serra do Rio Grande do Sul. O local propõe a convivência de criadores e praticantes de diversos fazeres artísticos em contato direto com a natureza. A propriedade possui 14 hectares, incluindo mata nativa intocada, cascata e arroio. 

Programação
- Encontros e práticas de Butoh em meio à natureza enriquecendo as percepções sensoriais
- Oportunidade de assistir vídeos sobre as obras de Kazuo e Yoshito Ohno e conversar sobre o Butoh e seus mestres
- Espaço para criação em grupo e/ou individual
- Entrega de certificado

Serviço
Imersão de Butoh nos dias 26, 27 e 28 de maio no Vale do Arvoredo
Investimento: $560,00 (inclui estadia, alimentação, e transporte)
Somente oito vagas.
Enviar carta de intenção e breve currículo para medeirosana@mac.com
Inscrições até o dia 20 de maio pelo e-mail medeirosana@.mac.com

Almoço e janta inclusos nas diárias
*O café da manhã será feito pelo grupo (levar mantimentos para esta refeição)
*Saída de Porto Alegre no dia 26 de maio, sexta-feira às 16:00
*Retorno à Porto Alegre no dia 28 de maio, domingo às 16:00

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ana Medeiros leva o Butoh a evento na Usina do Gasômetro em Porto Alegre

Foto: Jorge Eduardo Diehl
O Dia Internacional da Dança, 29 de abril, será comemorado com diversas atividades na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. A coreógrafa Ana Medeiros fará uma apresentação em frente ao local, às 12h15, acompanhada por música ao vivo do artista Duda Cunha.

Após a performance, o público será convidado a participar da Mostra de Dança e oficinas gratuitas, que acontecerão na Sala 209 da estrutura. Toda a programação é gratuita.
  
Tutu
Concepção coreográfica: Ana Medeiros
Trilha: Duda Cunha
Dançarina: Ana Medeiros
Figurino: Margarida Silva Rache e Vanessa Berg-Estúdio Híbrido
Foto: Jorge Eduardo Diehl

Serviço
Data: 29 de Abril de 2017
Local: Praça Júlio Mesquita em frente à Usina do Gasômetro
Horário:12:15 às 12:30

Valor: gratuito

sexta-feira, 17 de março de 2017

"É onde presencio o nascimento de momentos de pura beleza", conta tradutora de Yoshito Ohno sobre seu trabalho

Mina Mizohata, Yoshito Ohno e Ana Medeiros 
Traduzir a língua japonesa para outras ocidentais já é um desafio naturalmente. Contudo, Mina Mizohata, tradutora de Yoshito Ohno e, antigamente, de Kazuo Ohno, tem ainda mais responsabilidade: passar adiante os ensinamentos e a sabedoria de mestres do Butoh.

Desde 2012, Mina trabalha no Kazuo Ohno Dance Studio, onde traduz aulas de Butoh de Yoshito Ohno para visitantes de diversos locais do mundo. Porém, ela já trabalhava com Kazuo desde os anos 90. Para a japonesa, a experiência é um constante aprendizado e a ajuda a aprofundar seus conhecimentos sobre a dança.

Confira entrevista completa com a tradutora:

Desde quando trabalha como tradutora de Yoshito Ohno?
Traduzo para as aulas particulares desde 2012. Antes disso não havia aulas particulares como estas que temos agora.

Como surgiu essa aproximação?
Costumava traduzir as aulas abertas de Kazuo no final da década de 90, antes de ter meu primeiro filho. Enquanto os criava adoeci por muitos anos. Entretanto, continuei trabalhando como parte da backstage staff de várias maneiras, na maior parte das vezes nas apresentações de Kazuo e Yoshito, editando as publicações e gerenciando os arquivos. Tudo isso, porque meu marido é quem produz e faz a iluminação para os espetáculos e para as turnês há mais de trinta anos. Quando começamos a oferecer as aulas particulares, eu retornei a fazer as traduções, já que os meus filhos já haviam crescido.

O primeiro contato com Butoh foi com Yoshito? E quais foram as primeiras impressões?
O meu primeiro encontro com o Butoh foi por meio de Toru Iwashita, membro do grupo Sankaijuku nos meus tempos de faculdade. Não, na verdade, o meu primeiro encontro com o Butoh aconteceu na adolescência, quando assisti a um vídeo da minha banda preferida em que Byakkosha dançou — e eu odiei!
Depois, vi a apresentação solo de Toru Iwashita ao ar livre em um museu. Fiquei impressionada com a relação de seu corpo, sua presença com natureza e o espaço. Desde então assisti a muitos espetáculos de Butoh incluindo SankaiJuku, Min Tanaka (quando ele se definiu como um butoka, bailarino de Butoh), e também Saburu Teshigawara; entretanto, ainda não havia visto o trabalho de Kazuo e Yoshito Ohno.
Como havia lido muito sobre o Butoh e amava os textos de Tatsumi Hijikata, é claro que estava familiarizada com a importância dos dois na dança Butoh. Todavia, só fui ter a oportunidade de ve-lôs dançar muito depois. No momento em que vi Kazuo Ohno dançar ao vivo, foi como se ele apagasse tudo o que havia visto de Butoh até então. Desde aí que comecei a estudar no Kazuo Ohno Dance Studio e ter duas vezes por semana aulas com Kazuo, e uma vez na semana aulas com Yoshito. Lembro também que o modo de Yoshito ensinar era muito persuasivo.

De que forma você enxerga essa dança e a contribuição dela ao espírito humano?
É uma maneira de voltar à origem da vida e de se tornar completo. Fico impressionada ao olhar as pessoas dançando Butoh, o quanto esta dança revela sobre a essência, a alma, e a beleza do ser humano. Cada aluno desvendando diferentes aspectos do Butoh em sua dança. Para mim, a dança de Kazuo trazia o entusiasmo pela vida, enquanto que a dança de Yoshito traz a paz e o silêncio.

Qual a sensação de traduzir os ensinamentos de Yoshito? É uma responsabilidade grande?
É difícil de traduzi-lo, pois sinto uma enorme responsabilidade em transmitir os ensinamentos de Yoshito da melhor maneira possível.

No processo de transmitir e traduzir os pensamentos de Yoshito, qual a parte mais difícil? E a mais recompensadora?
A parte mais difícil é que Yoshito usa muitas palavras que são particulares da cultura Japanesa, e no Inglês não existem conceitos que as traduzam. Todavia, a melhor parte deste processo é que buscando as melhores palavras para traduzir os conceitos dele também vou aprofundando a minha compreensão sobre os seus pensamentos e sobre o Butoh.

Que momentos como tradutora de Yoshito você destacaria como os mais emblemáticos até agora?
Não sei se entendi bem a pergunta, mas quando relembro a minha trajetória como tradutora para ele, sempre me vêm primeiro esta lembrança: um homem colombiano, sem nenhuma experiência prévia com dança, estava simplesmente parado de baixo do foco de luz no estúdio. Ele havia vindo para esta aula particular, porque estava acompanhando a sua namorada, que era bailarina. Foi tão comovente vê-lo simplesmente parado ali sozinho, embaixo de um foco de luz. Naquele momento compreendi o que Yoshito sempre fala: "cada pessoa é uma obra de arte". O mero fato de estar ali, com a sua presença, já era o suficiente para revelar sua beleza. Se eu não fosse a tradutora dessas aulas tão especiais, não teria como presenciar e reconhecer essas verdades que dão corpo ao trabalho de Yoshito.

O que ele ensinou de mais valioso nas trocas entre vocês dois?
"Seja flexível no seu modo de pensar!" Yoshito é tão flexível que ele nunca se prende a um conceito. Ele sempre trabalha em dois extremos (talvez isso seja decorrente da sua experiência ao trabalhar com dois extremos, Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata!?). Num dia ele diz uma coisa, e no dia seguinte ele diz outra completamente oposta. Entretanto, no final os opostos criam um nova possibilidade, uma nova dança.

Dos lugares que você já esteve com Yoshito ao redor do mundo, quais marcaram mais e por quê?
Bem, na verdade eu sou a pessoa que fica no Japão organizando e gerenciando todos os assuntos relacionados ao KODS (Kazuo Ohno Dance Studio), enquanto Yoshito e o meu marido Toshio Mizohata, que é o produtor e o iluminador nas turnês, o acompanha. Então, para mim, o estúdio em Kamioshikawa é o lugar mais valioso. É onde presencio o nascimento de momentos de pura beleza.

Quais são os ensinamentos e os momentos com ele, seja como mestre ou amigo, que você levará para sempre na memória? Por quê?
"Dançar é experiência, é viver!” Dançar requer que se esteja presente, aqui e agora. Ele diz que cada momento que se vive, que se experiência, é um novo momento. E isso me alerta a não me iludir que sei alguma coisa.
Quero guardar sempre esse momento comigo: quando Yoshito sensei dançou cada movimento falando: "a vida é importante, a vida é importante, a vida é importante".
Também nunca quero esquecer o dia em que ele nos ensinou a dançar com muita atenção, para que pudéssemos transmitir a preciosidade da vida. Foi tão comovente...

Respostas em 02 de fevereiro, 2017



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Butoh na mídia

Semana Butoh no Jornal do Comércio 

Semana Butoh na coluna Rede Social, do Jornal Zero Hora 

Semana Butoh no Bom Dia Rio Grande, da RBS TV

Agenda do caderno Findi, do jornal Zero Hora

No site Agenda de Dança 

Na coluna Contracapa, do Jornal Zero Hora